• Leonardo Bianco Prevot

Vamos falar de amor no trabalho?


"Escolha um trabalho que ame e não terás que trabalhar um único dia em sua vida." - Confúcio.

Quantas vezes já não nos deparamos com essa frase de Confúcio, e ao aplicá-la, descobrimos que amar o que fazemos não nos leva onde realmente desejamos? Ou que uma parede de regras e procedimentos barra a determinação que possuímos? No mundo corporativo, essa parede adiciona um tom de frieza em nosso engajamento, ou até uma rigidez, que as vezes ofusca um sentimento de criatividade e facilidade de relacionamento.

Quantas vezes, ao tentar sustentar o amor pelo ofício, nos deparamos com um desafio que além de contestar nossas mais afirmadas habilidades, também vem com o intuito de esvaziar a nossa maior reserva de paciência?

Será que estamos nos focando no ponto certo?

Uma das maiores riquezas que pude experimentar em minha carreira de consultor foi a imersão cultura organizacional e no pensamento dos colaboradores das maiores empresas e multinacionais do Brasil. Em uma dessas visitas a uma empresa automobilística me ficou claro que, nessa indústria, os profissionais que são bem-sucedidos são aqueles que possuem três qualidades específicas: clareza, firmeza e foco.

- Clareza: a habilidade de vislumbrar o objetivo adiante e os passos para atingi-lo é uma qualidade que os profissionais mais requisitados desse mercado são solicitados para a solução de problemas e a identificação de causas-raiz. As habilidades lógicas desses profissionais são requeridas todo o tempo para trazer clareza para problemas.

- Firmeza: Além de identificar onde se deve chegar os profissionais, devem apresentar firmeza do argumento para manterem-se no caminho a se seguir, não apenas para defender seu ponto de vista, mas para não ceder a pressões que surgem de um ambiente em situação conturbada pelo problema em questão.

- Foco: por fim o profissional bem-sucedido nesse meio, mantém sempre os olhos no final do processo por ele iniciado. Demandas podem mudar e dificuldades podem surgir, mas o fim, uma vez estabelecido, deve estar sempre em evidência em todas as discussões de trabalho.

Analisando as três qualidades, faço uma pergunta: em que elas se assemelham ao amor ao trabalho que temos estereotipado? Olhando de perto podemos chegar à conclusão que nosso conceito de amor ao trabalho pode estar um pouco equivocado.

O conceito de amor adotado em consenso é trazido daquilo que temos como referência em nossa formação de caráter e crescimento, que é ou o amor materno ou o amor de amigo. Quando tentamos traduzir esse amor para dentro de nosso ambiente de trabalho não só estamos criando uma relação de dependência com a empresa, como nosso foco se torna exclusivamente pessoal. As decisões de trabalho, as vezes duras, contrariam o interesse de alguns colegas, comuns em um ambiente de modificações constantes.

Em muitas situações meus mentores me disseram: "É preciso separar o amor e emoções do trabalho" Como essa frase poderia ser aplicada e ao mesmo tempo encontrar um ponto de amor ao trabalho? Refletindo mais afundo me encontrei em um paradoxo de difícil conciliação. Cheguei à conclusão que as duas afirmações estão corretas.

Nossa língua pode ter sido injusta conosco neste quesito. Para o português temos apenas uma palavra que define amor. Se quisermos exemplificar diferentes manifestações deste sentimento devemos adicionar complementos como por exemplo: amor de mãe ou amor de amigo ou amor incondicional, ou então precisamos nos envolver com palavras que não definem com clareza o que realmente sentimos, como paixão ou gostar. Mas isso não é assim em todas as línguas.

No berço do pensamento ocidental, a Grécia, temos três palavras que definem amor: Eros, Phillia e Ágape (Existem mais palavras, mas possuem uso coloquial ou moderno).

- Eros, o mais antigo dos três, é definido por Platão como o amor sobre aquilo que não temos enquanto ainda não temos, e no momento que possuímos não amamos mais. Uma palavra que se assemelharia a Eros seria Desejo. E desejo segundo Platão seria a busca do que faz falta, logo amar é ter a energia para ir em busca daquilo que lhe faz falta.

- Philia é definido por Aristóteles, praticamente contemporâneo de Platão e é definido como o amor pelo que já se é ou já se possui, pelo que não falta. Uma palavra que se assemelha a Philia seria Alegria. É o jubilo que se experimenta ao se dar conta do que já atingiu.

- Ágape é o amor trazido por Jesus e está relacionado a palavra Compaixão. É o respeito profundo pela experiência do outro. É o amor pelo propósito da vida, pelo que não é importante para o indivíduo, mas sim para o bem maior.

Portanto Eros é a paixão por estar sempre buscando a próxima meta ou o próximo desafio. É esse amor de estar insatisfeito com o status quo, é a impaciência para o que não serve mais e também a esperança que após a próxima montanha o sol brilhará mais intensamente, como referenciado pelo professor Clovis de Barros Filho. Não é um amor parado, é o amor que se inflama que não aceita estagnação, é o amor proativo que movimenta, que mesmo não atendido sempre busca uma nova conquista. Pense em todos os gestores de renome ou CEOs que conhecemos e suas biografias, todos sem exceção possuem uma relação de muito Eros por seu trabalho. Steve Jobs deixou 4 anos de inovações quando faleceu, Warren Buffet, mesmo com certa idade, ainda trabalha e investe, e ganhou 12,7 bilhões em 2013, Jorge Paulo Lemann, mesmo se tornando um dos donos da maior cervejaria do mundo em 2008 com a compra da Budweiser, com sua empresa comprou em 2015 sua maior concorrente a SABmiller, além da famosa frase de sua equipe: "Gastos são como unhas, devemos cortá-los constantemente".

Nosso mundo de trabalho é bastante pautado por Eros como Professor Clovis de Barros Filho muito bem coloca, mas qual a sua relação com o seu Eros?

Você consegue se motivar a atingir o próximo limite do seu potencial? Consegue se retirar da sua zona de conforto? Consegue desejar intensamente algo em sua carreira a ponto de transpor barreiras para conseguir? Consegue espontaneamente gerar internamente o desejo de ir mais longe?

Cheguei à conclusão de que se aprendermos a fluir de forma saudável em Eros e abraçá-lo, o tempo voa, o sentimento de realização chega e progredimos na carreira com uma força inabalável. Que o primeiro amor que devemos desenvolver pelo trabalho se chama Eros.

E você mantém uma relação saudável com seu Eros?

Leonardo é consultor de empresas multinacionais e atende as maiores empresas no Brasil e exterior com consultoria de negócios e TI, atua como Coach e palestrante.

Leonardo Bianco Prevot

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