• Leonardo Prevot

Como viver em um mundo que não entendemos?


Durante a vida aprendemos a ser pragmáticos em nossas decisões, eu, como engenheiro, sei bem 😃. No limite de nosso pensamento linear pensamos que pra toda a ação existe uma causa raiz e uma reação, portanto, se mapearmos os riscos de reação e a análise de causa raiz poderemos evitar que o problema aconteça e também que seus efeitos possam pender mais para o lado favorável do que desfavorável, certo?

O problema com essa relação racional estabelecida é que na verdade não vivemos em um mundo que entendemos. Nassim Taleb em suas ideias fala de que a grande parte do que acontece a nossa volta realmente não conhecemos, e seria uma loucura tentar prever. Sua abordagem é relacionada ao mercado financeiro, mas se pensarmos bem, suas análise implicam todos os campos de nossa vida.

Mas, então, como viver em um mundo onde a maior parte do que acontece conosco não está no nosso controle e que conhecemos muito pouco?

Suponhamos que 90% do que acontece conosco não temos controle e tampouco conhecimento até que se materialize diante de nós. Como reagiríamos, como tomaríamos decisões?

A tomada de decisão com base em certezas nos leva até certo ponto, mas isso nos faz viver apenas uma pequena parte de nossa vida. Claro que para questões cartesianas de trabalho e de relacionamento e decisões rotineiras, o pensamento linear nos leva a tomada de decisão pragmática para sobreviver. Mas pare para pensar por um minuto: as melhores coisas que ocorreram em sua vida foram fruto de planejamento e controle?

Aquele olhar profundo de uma pessoa com gratidão por um ato de gentileza simples e não planejado. Aquele olhar para o céu em um momento onde um feixe de luz cortou as nuvens de um céu nublado em cima de você. Um colega de trabalho te reconhece por algo que você não fez intencionadamente para ser reconhecido.

Um abraço que dura um segundo a mais. Ou um amigo que te diz sinceramente, que bom que você chegou, estava com saudades. Todas as vezes que sentimos que caímos para cima.

Todos esses momentos não lineares da nossa existência que vivenciamos nos trazem uma grande humildade em uma nova valorização da vida. Se a maior parte do que passamos está em uma área que não conhecemos, as pessoas de maior sucesso atingiram esse patamar por saberem lidar com o que conhecem e influenciam ou com o que não conhecem e não influenciam?

Se a maior parte dos melhores acontecimentos da vida não são controláveis, por que ainda tentamos?

Para podermos transitar melhor na vida e termos sucesso é imprescindível nos sentirmos confortáveis com o não saber e em fazermos escolhas com o que não vemos e não controlamos.

Perceber os momentos que te levam a um estado mais potente de nós mesmos nos faz vivenciar o amor grego Philia, ou Alegria. Em outro texto escrevo particularmente sobre os tipos de amor, mais especificamente o Eros. Eros é o amor relacionado ao desejo de tomar ações e estratégias para obter algo que não possuímos e, quando possuímos, não amamos mais.

Se Eros é o amor que nos faz perseguir algo de forma linear, Philia nos permite entrar em um estado mais potente de nós mesmos através da Alegria, abrindo mão do controle ao entendermos que a maior e melhor parte da vida está no lado não controlável da nossa existência.

Essa consciência também nos traz, sinceramente, uma sensação confortável de que tudo está bem do jeito que se é. Essa sensação Genuína se chama Philia.

Philia é a forma de se movimentar a partir do que não entendemos, agradecendo as situações conforme elas se desenrolam em nossa frente. Ao acessar a alegria genuína nos abrimos para o grande presente que é a vida. Entrando no jogo de palavras, viver no aqui e agora no presente da vida é o que nos permite ser gratos o tempo todo, enquanto mudamos cartesianamente (EROS) o que precisamos e aceitamos o que não podemos mudar.

Leonardo Prevot é Engenheiro de Produção formado pela FEI, com pós graduação pela POLI-USP. Life, Executive, Business and positive Coach pela sociedade brasileira de coaching. Executivo de Negócios e TI já visitou mais de 60 empresas multinacionais. Atuou nos EUA, Europa, América do Sul e Ásia. Em 2016 começou com metodologia própria de transformação.

#amor #philia #controle

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