• Sergio Hora

Desemprego: como esta situação pode afetar sua saúde mental


Passaram-se noventa dias e a situação ainda se mantinha inalterada. Após 35 anos de trabalho, iniciados aos 15 anos de idade, com raros períodos de interrupção. Lá estava eu, em casa, levantando-me pela manhã sem destino, envolvido em tarefas caóticas no meu dia-a-dia. Eu não havia me preparado para estar entre as estatísticas oficiais que dão conta de mais de 13 milhões de desempregados no país. Na verdade, minha intimidade com a estatística se dava pelo outro lado: eu é quem realizava análises destes números no meu trabalho como pesquisador e gestor público nas últimas décadas.

Em um dia, você está no escritório por 10 a 14 horas diárias, no outro de bermuda e camiseta transitando pelos cômodos da casa praticamente as 24 horas do dia, mesmo naqueles chamados úteis. Neste momento sua saúde mental começa a ser fortemente afetada. Ansiedade, sinais de depressão – caso já não os tivesse – vão se intensificando, sua autoestima desaba vertiginosamente. Não é incomum que você leia ou escute coisas como “saia de casa, vá ao parque, encontre os amigos”, mas quando sai de casa e depara-se com as outras pessoas indo para o trabalho e lembra que você não está de férias, pensa por que você também não está indo para o escritório, indo encontrar um cliente ou viajando para alguma cidade a fim de participar de uma daquelas reuniões enlouquecidas.

Arrepende-se daquelas vezes em que esteve cansado e maldisse o trabalho, ainda que estivesse tralhando em média 12 horas por dia e tivesse todo o direito de estar cansado; pergunta-se porque discordou do chefe naquele projeto importante, mas esquece-se que ter opiniões embasadas em todos os anos de experiência da sua vida é algo positivo e não demérito; culpa-se por aquele dia em que esteve com uma fortíssima enxaqueca ou teve que acompanhar um amigo ou familiar ao médico e não pôde ir ao trabalho, ainda que não conhecesse finais de semana ou feriados quando fosse necessário entregar um relatório.

Se vai ao parque, questiona-se em ver a beleza das flores, em escutar o canto dos pássaros e em deixar o tempo passar displicentemente enquanto seus antigos colegas estão a trabalhar exaustivamente e as contas chegando na portaria do condomínio.Quando pensa em encontrar os amigos, de antemão envergonha-se em dizer que não está de férias, ou em ano sabático – muito mais chique! -, mas, sim, que não encontra novo emprego, a despeito de toda sua formação e experiência e toda a networking que imaginou ter construído ao longo dos anos. Às vezes, descobre que não conseguia manter uma conversa para além dos temas vinculados ao trabalho, mesmo com seus amigos mais próximos, e questiona-se o quanto deu atenção real a eles, e que talvez não seja merecedor da atenção deles mesmo neste momento tão difícil.

Esconde-se, dá desculpas esfarrapadas, seus relacionamentos – os mais diversos – sofrem profundas transformações e alguns rompem-se mesmo. Você mesmo passa a não se reconhecer mais, afinal vão-se mais alguns meses e já é tempo de aniversário de um ano no grupo dos milhões de desempregados no país.

Sei que é muito difícil manter a serenidade diante de tudo isto. As contas chegam, seu estilo de vida altera-se radicalmente, a frequência e intensidade dos maus pensamentos é assustadoramente grande, mas é realmente preciso sair de casa, andar no parque e encontrar os amigos, ou coisas parecidas. Vai descobrir que errou algumas vezes no trabalho, que não gosta tanto assim de ir ao parque e também que alguns amigos não dão conta da situação e afastam-se, e tudo bem. Cuide-se o tempo todo, sem culpa e sem auto piedade. Levantar-se pela manhã e encarar este autocuidado como o seu trabalho do dia, diariamente, inclusive nos finais de semana e feriados, como fazia com o trabalho do escritório (risos).

Esteja aberto para descobrir, como ocorreu comigo, que é hora de construir um novo caminho, qual seja empreender, o que não é necessariamente a melhor opção para todos, mudar de área de atuação ou, ainda dentro da sua área, criar novas possibilidades, como tornar-se consultor ou trabalhar com outras atividades mal exploradas anteriormente. Pesquise, converse bastante e, principalmente, escute a si mesmo, menos com a cabeça, mas percebendo-se por completo, inclusive seu corpo.

A ajuda profissional também é sempre muito bem-vinda e foi fundamental na minha história de vida. Se você já fazia terapia, converse com seu terapeuta e exponha a situação com clareza. Em todos os momentos difíceis como este, mesmo com quase nenhum recurso financeiro, nunca me foi negado discutir opções para manter o suporte terapêutico, mas o comprometimento consigo mesmo é fundamental, caso contrário você estará enganando o profissional e a si mesmo, e aí não vai funcionar. Se não estava habituado a se cuidar terapeuticamente, recomendo fazê-lo. Há serviços de apoio acessíveis em universidades, espaços terapêuticos e organizações do terceiro setor e pode, inclusive, encontrar alguns profissionais mais disponíveis para um acordo.

Tenha em mente que esta fase de vida também passa, apesar de não acreditarmos facilmente nisto, e prossiga. Viva com saúde!

______

Quer mudar sua condição de vida? Um terapeuta pode te auxiliar nesse movimento. 💬 Clique aqui e envie-nos uma mensagem ;)

Sergio Hora - Terapêutica Integrada

Facilitador certificado de Barras de Access®, Facelift® Energético e processos corporais de Access Consciousness®; terapeuta de SE-Somatic Experiencing® e Florais Alquímicos de Joel Aleixo®. Mestre em ciências pelo Depto. Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP e graduado em Tecnologia da Informação. Especialista em políticas públicas nas áreas da saúde, educação e assistência social. Ministrante dos cursos de Barras de Access® e Facelift® Energético e dos workshops de MTVSS® e Circuitos no Centro.

#desemprego #trabalho #condiçãodevida #mudança #caminhoprofissional #dinheiro #saúdemental

Rua dos Jacintos, 233

Mirandópolis - São Paulo/SP

04049-050

  • Instagram
  • Facebook
  • You Tube
  • LinkedIn

© 2019 Todos os direitos reservados. Centro de Desenvolvimento Dora M Bentes