• Sergio Hora

Quando viver parece não ser mais uma opção


Se uma palavra pode definir esse momento ela é, sem dúvida alguma, a palavra dor. Trata-se de uma sensação tão profunda que surge da alma, invadindo todo o corpo e confundindo a mente de forma a criar como que uma grande névoa densa ao nosso redor. E enxergar um farol que lhe permita aportar em um local seguro e acolhedor é algo que parece impossível de acontecer, portanto, viver não é mais uma opção aceitável.

Quando pensamos em abordar este tema constatamos o quão permeado pelo preconceito e pelo tabu ele o é, ainda nos dias atuais. Contudo, a questão é tão latente que a Organização Mundial da Saúde resolveu dedicar o mês de setembro ao debate e conscientização mundial sobre o suicídio. Discutir e informar são efetivamente os melhores caminhos para lidarmos com esta questão. Estima-se que a cada 45 minutos no país há uma tentativa ou efetivação de um suicídio, problema que tem afetado cada vez os mais jovens - incremento de 40% entre crianças de 10 a 14 anos - e também os mais idosos.

Os fatores que levam uma pessoa a pensar e desejar dar fim a sua própria vida são inúmeros. Um dos mais conhecidos é a depressão, que já abordei em um texto anterior. Perdas de quaisquer naturezas e os traumas também são importantes disparadores. Há quinze vezes mais chances de um trauma induzir ao suicídio.

É comum que uma sensação recorrente e profunda de inadequação, de não pertencimento ou de não merecimento em estar neste mundo surjam e, a partir disto, levantamos muitas questões a nós mesmos, tais como: “o mundo não ficaria melhor sem mim?”, “por que insisto em viver se sempre falho em tudo o que faço?” e tantos outros questionamentos originários da profunda dor vivenciada. Do outro lado, é comum dizer-se que depressão é uma frescura, que tirar sua própria vida trata-se de covardia, que é falta de Deus em no coração ou, então, subterfúgio dos fracos.

As pessoas ao redor nem sempre se apercebem do que está na mente e no coração de um suicida. Um sorriso estampado constantemente, uma vida material bem-sucedida, viagens e fotos bonitas nas redes sociais podem camuflar a depressão e outros fatores que incentivam os pensamentos de não vale mais a pena. Na verdade, a maior parte das pessoas já teve estes pensamentos, em algum momento de suas vidas, no entanto, este padrão mental passa a ser um problema de saúde grave quando começamos a pensar nisto o dia todo, todos os dias, no suicídio como saída para os problemas do cotidiano e até mesmo imaginar e pesquisar os métodos mais eficazes para se atingir o objetivo.

Nós nem sempre enxergamos verdadeiramente o outro, não perguntamos como uma pessoa se sente bem no fundo nos olhos, sem aquela olhadela no celular ou no relógio que indica uma reunião importante aproximando-se. Não tendemos a perguntar se uma pessoa precisa de algo de nós, ainda que uma simples e fundamental escuta verdadeira. Esta falta de atenção e diálogo acaba conduzindo ao inevitável com o passar do tempo.

Mas nada de culpas. E nada de evasivas. Quando perceber que pode haver algo estranho com uma pessoa próxima, o melhor é ser direto, mas afável, sem as frases de efeito duvidoso que a maior parte das pessoas acredita serem efetivas, tais como “isto passa”, “é uma bobagem” e outras de mesmo sentido. Pesquisas indicam que em um único segundo pode haver um efeito de barragem ao impulso suicida, o que pode se dar pela escuta de uma música, de uma cena afetiva, da dificuldade de acesso aos meios para realiza-lo, ou um único gesto de acolhimento.

Para aqueles que já pensaram ou pensam nisto, digo que por maior que esta dor pareça ser, com a devida atenção – incluindo cuidados médicos e terapêuticos –, ela passa. Não há tantos anos atrás, vivi esta situação no seu limite. Ao sair do hospital, recebi o carinho e afeto dos amigos, dos colegas de trabalho e procurei ajuda, muita ajuda médico-terapêutica, das tradicionais e das complementares e integrativas.

É um caminho de recuperação tão difícil quanto o momentum em que se decidiu que nada mais valia a pena, não há como dourar a pílula, mas possível de trilhar e de reconstruir a sua vida em novas bases. Revi minha trajetória de vida, minha profissão e minhas relações e, hoje, de uma forma diferente da qual atuava, dedico-me a cuidar das pessoas, que mantem a dor, física e emocional, como companheiro do dia-a-dia.

Perceba-se constantemente e enxergue com verdade as pessoas próximas a você. Observe os sinais e reaja oferecendo ajuda e a indicação de um bom tratamento, a si mesmo ou o outro. Viva com saúde!

*Se você precisa de ajuda agora ligue para o CVV: 188 (ligação gratuita)

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Sergio Hora - Terapêutica Integrada

Facilitador certificado de Barras de Access®, Facelift® Energético e processos corporais de Access Consciousness®; terapeuta de SE-Somatic Experiencing® e Florais Alquímicos de Joel Aleixo®. Mestre em ciências pelo Depto. Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP e graduado em Tecnologia da Informação. Especialista em políticas públicas nas áreas da saúde, educação e assistência social. Ministrante dos cursos de Barras de Access® e Facelift® Energético e dos workshops de MTVSS® e Circuitos no Centro.

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