• Sergio Hora

Trauma tem cura!


Muitos poderão perguntar se todas as pessoas têm traumas. Estima-se que cerca de 90% das pessoas no mundo já passaram por uma experiência traumática relevante e, provavelmente, todos nós passamos por algumas experiências traumáticas menos impactantes ao longo de nossa existência, mas que, ainda assim, podem ser chamadas de eventos traumáticos. A boa notícia, entretanto, é a de que o trauma tem cura. Ao menos é com esta concepção que todas as técnicas com as quais trabalho acreditam realizar.

Há cerca de 5 anos, eu havia saído de São Paulo em direção à Curitiba acompanhado por uma amiga. Estávamos indo para um rali de regularidade naquela cidade. Eu estava, como sempre, extasiado pelo fato de mais uma vez participar deste tipo de evento e minha amiga, que já vinha acompanhando esta minha cruzada sobre 4 rodas, estava igualmente ansiosa por experimentar sua primeira vez como navegadora. A viagem era longa, mas tínhamos tempo e fomos com bastante cuidado, uma vez que a rodovia que liga as duas cidades possui pontos bem perigosos. Quase chegando ao nosso destino, novamente nos deparamos com uma garoa fina, precedida por uma chuva não muito forte que teimava em manter areia e óleo nas pistas.

Num determinado ponto desta chegada a rodovia abria-se em 4 pistas o que nos garantiu certa sensação de segurança, mesmo nas curvas longas. Mas foi uma falsa sensação. Em milissegundos eu partira da segunda pista à direita em direção ao guardrail da esquerda. Sensações tão antagônicas que não compreendia como era possível passarem tantas coisas na minha cabeça naqueles “milimomentos”. Eu tentava, em vão, controlar o carro tentando me lembrar daqueles “o que posso” e ö que não posso” fazer em uma situação destas. Aciono o freio? Seguro a roda de direção? Eram milhares de pensamentos, mas o mais forte, e que me acompanhou naqueles infinitos “milimomentos” por toda a eternidade foi “ela é mãe de uma garota que precisa dela em São Paulo”. Eu olhava para o rosto dela e as imagens dos caminhões passando ao nosso largo em altas velocidades me fazia crer que seriamos abalroados por um ou mais deles capotando inúmeras vezes. Por fim, encontramos o guardrail da esquerda que nos jogou para o lado oposto, no qual chegamos quase queno gramado e anteparos totalmente à direita. Parado o carro, eu não conseguia parar de pensar na filha de minha amiga e na integridade física e emocional de sua mãe que estava ali ao meu lado.

Duas pessoas e uma única situação, a qual chamamos de evento com potencial traumático. Cada qual percebendo-o à sua maneira. Muitos anos depois, na minha formação de Somatic Experiencing®, pude compreender que aquele evento, ao contrário do que imaginei tinha me afetado em alguma medida.

Dizemos que o trauma não está no evento, o fato gerador, mas sim no sistema nervoso que por algum motivo não conseguiu lidar com a situação traumática,portanto, a experiência do trauma é pessoal. Isto explica o fato de uma pessoa traumatizar e outra não, diante de um mesmo evento. Peter Levine, criador da Somatic Experiencing® acredita que o trauma advém do resíduo de energia que não foi resolvido e descarregado; esse resíduo permanece preso no sistema nervoso, onde pode causar danos ao corpo e ao espírito.

Em uma situação de risco, nosso cérebro é inundado pelo excesso de informações produzidas pelo evento traumático e precisa de mais tempo para ser processado e voltar ao estado de relaxamento. Os sintomas frutos dessas situações traumáticas são desestruturantes e avassaladores, quando não tratados adequadamente.

Em situações como a do acidente que eu descrevi, podem ser classificadas como trauma de choque. Já aquelas situações vivenciadas desde o feto até o final da infância/adolescência podemos chamar de trauma de desenvolvimento ou de relacionamento. Todos nós necessitamos de um cuidador que nos assegure condições mínimas de sobrevivência durante boa parte de nossa vida inicial. Quando a qualidade desta relação se torna frágil, há grande possibilidades de que ocorram traumas advindos desta fase de vida.

Boa parte das pessoas acredita que o trauma surge a partir de situações de ameaça,como um acidente de carro, violência sexual, guerra, assalto, morte de alguém muito próximo ou querido etc. Na verdade, os maiores traumas podem ser causados pelas pessoas que mais amamos, como nossos pais, cônjuges, amigos e parentes. Um evento traumático de choque tende a ocorrer uma única vez, enquanto estes últimos ocorrem sucessivamente, sendo então chamados de traumas de desenvolvimento ou situação poli traumática.

Fatores que tendem a aumentar a probabilidade de trauma são aquelas como um ambiente instável e inseguro; uma separação dos cuidadores; uma doença grave; procedimentos médicos invasivos, inclusive as anestesias; violência doméstica; negligência e assédio moral.

A sintomatologia do trauma pode apresenta-se fisicamente – na forma de úlceras, palpitações, dores no coração, hipertensão, alergias, enxaquecas, fibromialgia, síndrome do intestino irritável ou da fadiga crônica -, psicologicamente – ansiedade, depressão, agressividade -, e no aspecto da sociabilidade – queda de produtividade no trabalho, conflitos com familiares e amigos, isolamento e apatia. Aspectos como estes podem, inclusive, levar à automutilação, a doenças autoimunes e até mesmo ao suicídio.

Diversas psicoterapias e terapias complementares e integrativas tem demonstrado bons resultados, portanto, a importância de se olhar com afeto para sua situação traumática e cuidar para que ela tome novo significado. Boa parte destas técnicas acabam ensinando e ajudando o cliente a mecanismos de manejar estas crises, as quais estamos submetidos o tempo todo.

Busque ajuda e escolha a técnica, ou técnicas, com as quais percebe mais segurança e intimidade. Viva com saúde!

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Sergio Hora - Terapêutica Integrada

Facilitador certificado de Barras de Access®, Facelift® Energético e processos corporais de Access Consciousness®; terapeuta de SE-Somatic Experiencing® e Florais Alquímicos de Joel Aleixo®. Mestre em ciências pelo Depto. Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP e graduado em Tecnologia da Informação. Especialista em políticas públicas nas áreas da saúde, educação e assistência social. Ministrante dos cursos de Barras de Access® e Facelift® Energético e dos workshops de MTVSS® e Circuitos no Centro.

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