• Sergio Hora

Como o Carnaval pode interferir na sua saúde mental


É fevereiro, e tem Carnaval! Já diz a música de Jorge Ben Jor, cantada desde 1969, naquela época, ainda na voz do grande Wilson Simonal, lembrando-nos da festa pagã invadida de ludicidade, subversão e catarses coletivas.



Tempo de subversão e catarse

É nesta época do ano, nem sempre o fevereiro, em que as pessoas aproveitam o calendário para exercerem seus corpos livres e seus derradeiros momentos de liberdade moral, todos cerceados durante o restante do ano pelas imposições da sociedade, ainda que em “comum acordo” e pelos compromissos da vida adulta. As vezes são as máscaras e as fantasias, que são senso comum na festa, em todos os tipos de aglomerações, pequenas ou gigantes, que nos emprestam coragem para exercer esta liberdade efêmera frente aos nossos pares. Tomamos emprestado o papel de outras pessoas e, inclusive, sexos, exacerbamos as críticas políticas e sociais escancarando nossas posições sem os mesmos filtros de outras épocas e até imitamos personagens da história ou da ficção com os quais nos identificamos ou queremos fazer chacota.



Interações sociais positivas e negativas

As pessoas saem mais de suas casas e buscam mais espaços coletivos nos quais a catarse coletiva encontra maior ressonância e os limites são testados ao extremo, seja nos experimentos sexuais diversos, no uso exagerado de álcool e drogas ilícitas e, não é incomum que haja o uso de violência e abusos de toda ordem orquestrados por pequenos coletivos, que protegidos pelo grupo, desrespeitam o limite alheio. É natural que o pior e o melhor de cada um de nós fiquem mais aflorados e mais evidentes.


Quando isto ocorre, ou seja, a festa e a alegria saudável dão lugar ao extremismo abusivo, tanto o individuo pode ferir a sua essência mais pura, em nome de pertencer ao grupo, quanto excedemos o limite do espaço do outro ferindo-o moralmente ou até mesmo o seu corpo, podemos atingir a saúde mental de nós mesmos ou do outro. Aí a festa não fica mais tão legal!


Quando isto ocorre a festa perde a graça tornando-se um problema sério. Por isso, é fundamental respeitarmos nossos próprios limites e observar os limites do outro. Sendo assim, não comprometermos a saúde mental de nenhuma das partes.



A festa para quem já não está bem

Para aqueles que já apresentavam algum transtorno como depressão e ansiedade, a festa pode vir a ter contornos mais estressantes do que propriamente uma festa de alegria e liberação saudável dos nossos fantasmas. É uma época em que, ainda mais, pouco se fala das dores e sofrimentos psíquicos. As palavras de ordem são festa, alegria, curtição, e alegria não combina com dor, ao menos é o que a maioria acredita.


O Brasil é o país na América Latina em que há o maior índice de pessoas acometidas por depressão na região e o sistema de saúde, já despreparado para esta população ao longo de todo o ano, foca sua atenção no pronto atendimento de emergência no trato de problemas e traumas físicos ocorridos nas festas que ocorrem por toda as partes.


As pessoas cobram umas das outras a participação festiva e aqueles em estado de ansiedade e depressão mais crônicas podem ser acometidos por sentimentos profundos de solidão e inadequação. A estrutura psíquica já está balada e sensível e estes estímulos do período podem agir de forma adversa tornando o que poderia ser alegria em ainda mais dor e sofrimento. É um momento onde faz-se necessário ainda mais atenção, cuidado e reflexão com relação ao quadro mental destas pessoas e, talvez, seja necessário um maior afastamento destes estímulos inerentes ao Carnaval.


Por isso, alguns especialistas sugerem, observando o grau de transtorno de cada um, que os mais introvertidos, mas com um quadro mais leve, busquem lugares menos cheios e com pessoas mais conhecidas para que se apresente uma sensação maior de segurança e conforto para o enfrentamento da situação de exposição. Para aqueles com quadros mais agudos, sugere-se até que saiam dos grandes focos de aglomeração e partam para locais mais próximos à natureza e de maior tranquilidade. Mas cada caso é um e deve ser analisado, afinal festa e alegria também podem contribuir de forma positiva para os quadros de transtornos diversos.



O abuso de álcool e drogas e o Carnaval

Como já mencionei, o abuso de drogas no Carnaval é bastante comum, sobretudo por aqueles que são mais tímidos e introvertidos que para participarem dos grupos e externarem suas opiniões lançam mão destas substâncias. Na verdade, este consumo tende a aumentar ainda mais a pressão sobre si, o que também afeta sua saúde mental, além da física.


Não estou aqui pregando que a festa mais esperada pelos brasileiros seja negativa e deva ser evitada, muito pelo contrário, a alegria cura, desde que seja a expressão mais profunda e real vinda de nossos corações. O ideal é que possamos curtir esta festa com moderação, com verdade, com respeito e assim todos ficaremos bem.


Se você tem algum familiar ou amigo que passa por uma situação delicada, ou mesmo você, não fique em silêncio. Peça ajuda, fale com alguém, procure um profissional de saúde (médicos, psicólogos, terapeutas integrativos).


Fique bem e curta muito a festa. Viva com saúde!

______

Participe do Carnaval da Consciência! 🎉 Clique aqui e saiba mais sobre o evento

Sergio Hora - Terapêutica Integrada

Facilitador certificado de Barras de Access®, Facelift® Energético e processos corporais de Access Consciousness®; terapeuta de SE-Somatic Experiencing® e Florais Alquímicos de Joel Aleixo®. Mestre em ciências pelo Depto. Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP e graduado em Tecnologia da Informação. Especialista em políticas públicas nas áreas da saúde, educação e assistência social. Ministrante dos cursos de Barras de Access® e Facelift® Energético e dos workshops de MTVSS® e Circuitos no Centro.

#carnaval #saúdemental #ansiedade #excessos #carnavaldaconsciência

Rua dos Jacintos, 233

Mirandópolis - São Paulo/SP

04049-050

  • Instagram
  • Facebook
  • You Tube
  • LinkedIn

© 2020 Todos os direitos reservados. Centro de Desenvolvimento Dora M Bentes®