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Entenda os benefícios de escrever diariamente


Ao lado da minha cama, possuo dois cadernos. Um deles, de folhas brancas reluzentes e pautadas, de capa dura em tons fortes de vermelho e azul, recebe, com frequência, meus primeiros pensamentos do dia. Assim, aleatoriamente. A ideia é pousar ali pensamentos dos mais diversos que acordam comigo e que parecem não ter um endereço certo para morar. Já o outro, menorzinho, em tom madeira clara, uso mais tarde, com menor frequência, mas com mais reflexão. Ele recebe minhas intenções e contemplações sobre a minha vida, além de desafios e agradecimentos.


Na minha infância, era muito comum chamar exercícios como o que mencionei acima de diário. Essa é uma tradição antiga e é possível encontrar registros históricos dessa prática desde o século X. Uma história muito inspiradora nesse sentido é de Anne Frank. A adolescente alemã escreveu, escondida da família, um diário durante sua vida em meio a Segunda Guerra Mundial. Ela morreu em um campo de concentração e o único sobrevivente de toda a sua família foi seu pai, que descobriu seus diários e conseguiu torná-los um livro, o Diário de Anne Frank.


Penso que, assim como para mim, Anne tinha na caneta e no papel, o conforto de contar para alguém, o que eu chamo de Terapeuta de Papel, os seus momentos, agonias e alegrias e, com isso, poder elaborar melhor a própria vida.


Se até agora não consegui gerar em você aquela vontade de escrever, aí vão mais motivos dos quais podem lhe ajudar a pensar sobre adotar o hábito de escrever diariamente em sua vida:



Para entrar em contato com emoções e sentimentos

A escrita focada na emoção pode apoiar você a reconhecer emoções e sentimentos. Desde os anos 80, estudos são conduzidos para compreender os benefícios da “cura pela a escrita”.


Na prática, a atividade envolve escrever sobre sentimentos e emoções todos os dias entre 15 e 30 minutos. Essa tarefa pode levar a benefícios mensuráveis ​​para a saúde física e mental, como redução de estresse e quadros de depressão à melhora do sistema imunológico.



Para compreender a si mesmo melhor

Embora a escrita à mão seja mais demorada e onerosa, há evidências de que, em alguns casos, as pessoas perdem quando abandonam o papel e o lápis para texto gerado num teclado. Esse é o caso quando falamos da escrita pessoal, aquela que acessa a nós mesmos, que tem a função do autoconhecimento.


Existem evidências de que a caligrafia pode facilitar melhor essa forma de terapia do que a digitação. Um estudo publicado no Journal of Traumatic Stress descobriu que escrever sobre uma experiência de vida estressante à mão levou a níveis mais altos de autoconhecimento e em mais benefícios terapêuticos.



Para alimentar a criatividade

A criatividade pode ser exercitada quando nos entendemos como parte da criação. Escrever é um excelente exercício para isso. Além de nos ajudar a processar melhor tudo que nos acontece, auxilia-nos a compreender o contexto em que estamos, a escrita que adotamos, a desenvolver ideias e informações que apoiam nosso processo criativo.


No livro o Caminho do Artista, de Julia Cameron, aprende-se muito com o olhar para as nossas questões para desbloquear o que há de mais puro na gente, o nosso poder de criação. Entendemos que, para acessar este lugar é preciso fazer uma viagem de autodescoberta, enfrentar nossos medos, crenças e inseguranças. O papel e a caneta já estão prontos para atravessar isso com a gente.



Para perdoar e agradecer

Costumo dizer que perdoar é soltar e, em seguida, agradecer, que é reconhecer o aprendizado. Ao usar um caderno para entrar em contato com isso, estamos garantindo que essa manifestação de certa forma se tangibilize. Estamos reconhecendo o perdão e nos orgulhando do aprendizado até ali.


Essa ação é bastante útil para trabalharmos sensações e emoções, nos ajudar a compreender o sentido e fazer reavaliações da vida. O diário pode apoiar o aumento da sua autoestima por meio desses reconhecimentos.



Para desacelerar

Em um mundo em que estamos recebendo vários e diferentes estímulos ao mesmo tempo, precisamos compreender que temos a necessidade de desacelerar e olhar para gente. A caligrafia é um processo lento, se comparado a digitação. Seu benefício está exatamente aí, que garante a melhor absorção e compreensão das informações.


Um estudo publicado na revista Psychological Science constatou que os alunos que fizeram anotações à mão se saíram melhor em testes do que os estudantes que fizeram anotações em laptops. "A principal vantagem das anotações à mão era que elas desaceleravam as pessoas", diz Daniel Oppenheimer, co-autor do estudo e professor de psicologia na Universidade Carnegie Mellon.



Então, como escrever diariamente?

Vamos para algumas dicas básicas e importantes para que você possa sentir os benefícios da escrita diariamente em sua vida:


• Realize a escrita frequentemente. O exercício diário de entrar em contato com emoções e sentimentos por meio do papel e da caneta é que garantem os demais ganhos;

• Encontre o melhor horário para você escrever e acessar a si mesmo. Eu faço isso pelas manhãs e sinto que me expresso melhor nesse momento e mantenho a sensação ao longo do dia. Essa é também uma recomendação presente num estudo realizado em 2012 pela Universidade de Toronto, no Canadá. Segundo à instituição, as pessoas estão mais otimistas e dispostas neste período;

• Não edite seus textos. Apenas escreva livremente e sem preocupações com o conteúdo, gramática ou ortografia. Não pense nas palavras ou na importância que alguém daria ao que diz ali. Pense que o caderno é o seu ‘Terapeuta de Papel’ e que, como um bom terapeuta, ele não te julga. Julia Cameron vai mais longe e orienta que sequer paremos para ler o conteúdo despejado naquelas folhas. O caderno funciona como uma descarga de emoções. Eu gosto disso!


E você? Incluiria mais algum benefício aqui? Converse com a gente e diga como acredita que a escrita pode fazer parte da sua vida.



Como apoio a esse processo de autoconhecimento, você pode contar com a oficina SELFIE: retrato por escrito. Ou, se quiser apoio agora, fale com a gente e entenda como a Jornada Narrativas de Vida suporta a transformação pessoal pela nossa expressão no mundo.


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Eduardo Alves é graduado em Relações Públicas e especialista em Mídias Digitais.

É formado em ThetaHealing DNA Básico e Avançado pela Escola Onda e certificado internacionalmente pela THInK.

Também estuda escrita criativa e afetuosa, captação e tratamento de histórias de vida e curadoria de conhecimento em espaços menos ortodoxos.

Lançou o Kayuá, projeto de autoconhecimento livre e itinerante que acredita que a narrativa contribui para o desenvolvimento do ser humano. Com ele, apoia pessoas em seu autoconhecimento por meio do ThetaHealing e da Jornada Narrativas de Vida.

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