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Escrita terapêutica: o que é e como praticá-la pode auxiliar a compreender emoções e necessidades


Usar do papel e da caneta para entrar em contato com emoções pode ser uma forma de reconhecer novas sensações e encontrar solução para necessidades e problemas que ainda temos dificuldades em entender


A escrita têm sido adotada como forma de ressignificar experiências de vida e traumas principalmente. O termo sugere que, por meio da palavra, realizemos exercícios que apoiem a compreensão e a transformação de sentimentos e emoções que permeiam o nosso cotidiano.


A escrita tem a função de nos ajudar a viver mais consciente e em paz com as nossas experiências de vida. Quando escrevemos, deixando qualquer sensação de controle de lado, podemos encontrar um fluxo natural de pensamento que traz clareza, inspiração e criatividade.


Nem sempre esse caminho é tranquilo e é possível que surjam alguns desconfortos e tristezas. Isso acontece porque, geralmente, a escrita nos faz pensar e elaborar junto do surgimento das palavras no papel. Mas não se preocupe, pois é exatamente essa elaboração que nos apoia a afastar sintomas como a ansiedade da gente.



O que é escrita terapêutica?

Todos nós, ao longo da vida, buscamos nos encontrar equilibrados e mais conscientes. Alguns buscam isso em diferentes terapias, outros começando algo novo e alguns por meio das artes e da expressão.


Existem diferentes formas de incorporar a expressão à cura emocional, uma delas é a escrita terapêutica ou expressiva - ou ainda Narrativas de Vida, como chamamos por aqui. O mais interessante é que ela demanda muito pouco para já ser inserida na rotina.


Para praticá-la e usufruir de seus benefícios, você não precisa ser um escritor profissional. Ela pode começar assim que você estiver de posse de papel e caneta - e curiosidade para botar para fora tudo o que sente.


Ela pode ser feita individualmente, pode ser guiada por um profissional ou por meio de experiências em grupo. A escrita terapêutica pode também complementar processos de autoconhecimento, expandindo e acelerando processos.


A terapia expressiva nos ajuda a impulsionar a compreensão de quem somos por meio da elaboração da nossa personalidade. Tomamos mais consciência de quem fomos, somos e queremos ser, respeitando a nós mesmos e reduzindo o autojulgamento.



Como surgiu a escrita terapêutica?

Um dos estudiosos da escrita terapêutica foi o psicólogo James W. Pennebaker. No final dos anos 80, em seu estudo, orientou um grupo experimental a escrever sobre um trauma vivido por 15 minutos, expressando sentimentos, emoções e pensamentos, indo o mais fundo possível neles. Junto de outro grupo, chamado de “controle”, foi solicitado que eles descrevessem, objetiva e factualmente, um trauma, sem revelar sentimentos, pensamentos e emoções.


Por 4 dias consecutivos, os grupos realizaram este experimento sem se preocupar com gramática, ortografia ou concordância em seus textos. A única regra imposta é que, quando começassem a escrever, só parassem quando o tempo acordado terminasse.


A descoberta do psicólogo é que o grupo experimental fez significativamente menos visitas a um médico nos meses seguintes. Embora relatassem terem vivido a sensação de angústia e tristeza ao entrar em contato com sentimentos e sensações pela escrita, também apontaram como valiosa a forma terapêutica que acessaram tais emoções.



“Escrever sobre experiências, sentimentos e pensamentos pode ter grande valor terapêutico, possivelmente porque isso auxilia a fazer reflexões. Estas reflexões possibilitam examinar cada experiência a partir de vários ângulos, em vez de, por exemplo, tentar transferir culpas para outros.”


James Pennebaker



O processo terapêutico da escrita

A escrita expressiva ou terapêutica é um processo de mergulho profundo na gente mesmo. Por meio dela, nós examinamos as emoções e sentimentos que estão conectados aos acontecimentos da vida, sejam eles quais forem - do extraordinário ao cotidiano.


Com isso, o ato de se conectar com o que vem a mente, sem julgamento de certo ou errado e escrever isso em um papel pode trazer a sensação de liberdade. A medida que o exercício da escrita evolui, é possível atravessar camadas de sentimentos e encontrar emoções mais intensas e que estavam inconscientes até então.


O mais importante é respeitar o seu ritmo. Se sente que algo que aconteceu ainda não está pronto para ganhar sua atenção e profundidade por meio da escrita expressiva, aguarde o momento certo para trazer o assunto para o papel.


O processo terapêutico da escrita envolve se propor a trazer para o consciente, por meio do papel e da caneta, emoções, sentimentos, pensamentos e a compreensão das necessidades que estão conectadas com os acontecimentos da vida. Desse modo, não é descrever fatos, mas tornar clara camadas mais profundas que fazem parte do ser humano.



Entenda os benefícios de escrever como terapia

Estudos afirmam que entrar em contato com sentimentos, pensamentos e emoções pela escrita altera respostas fisiológicas de doenças crônicas, apresentando melhoras no quadro de saúde de pacientes.


Ao trazer a experiências traumáticas para o papel, o paciente começa um processo consciente leve de como lidar com o ocorrido, abrindo espaço para uma recuperação emocional, mental e física. Trata-se da oportunidade de escrever a própria narrativa de vida integrando o trauma e acolhendo a si mesmo diante dele, sem se julgar ou vitimizar.


Um estudo publicado no The Journal of the American Medical Association informa que um estudo testou o mesmo exercício de escrita realizado por James Pennebaker em mais de 100 pacientes com asma e artrite reumatóide, com resultados semelhantes.

O estudo informa que os participantes que escreveram sobre o evento mais estressante de suas vidas experimentaram melhores avaliações de saúde relacionadas à sua doença.


Veja alguns momentos dos quais você pode se beneficiar da prática da escrita terapêutica:


- Entrar em contato com traumas;

- Aliviar o estresse;

- Lidar com a ansiedade;

- Se conhecer melhor;

- Lidar com lutos e perdas;

- Refletir sobre casos de saúde;

- Compreender questões de relacionamento;

- Desenvolver habilidades de autoexpressão;

- Melhorar a autoestima.



Como começar a praticar a escrita terapêutica

Com uma folha de papel e uma caneta confortável, você já pode ir muito além do que imagina na escrita terapêutica. Fato é que essa prática pode ser feita em qualquer lugar, por qualquer pessoa, com foco em qualquer questão.

Ira Progoff, psicólogo americano, na década de 60, foi o primeiro a criar o Método de Diário Intensivo, ou seja, escrever um diário. De lá para cá, diferentes e diversos estudos apontam a importância da escrita terapêutica para o bem-estar e cuidado com a saúde.


Se quer criar a atmosfera perfeita para iniciar seus exercícios, aprofundamos mais uma pouco. Se vai iniciar sua jornada na escrita terapêutica de maneira autônoma, recomendo encontrar um lugar silencioso, com poltronas ou cadeiras confortáveis. Se preferir fazer esse exercício em uma mesa, busque que seja também bem iluminada.

Se quiser buscar mais inspiração, traga música ou um aroma que lhe agrade. Crie livremente um ambiente harmônico.



Mentorias de escrita Terapêutica

Se sente que pode tirar mais proveito da prática terapêutica da escrita com uma mentoria, aqui no Centro de Desenvolvimento Dora M Bentes realizamos este processo por meio da metodologia da Jornada Narrativa de Vida. Nela, o uso da escrita acontece para entendermos encontros e desencontros que ora e outra o contar histórias nos traz.


Foi dessa maneira que compreendi que entrar em contato com sentimentos e sensações de minha história de vida poderiam me ajudar a me conhecer melhor, entender a forma com que minhas relações interpessoais se constroem, como minha família influencia na pessoa que sou hoje.


Nesse caminho, reuni técnicas e vivências que pude ter ao longo dos últimos anos em minha vida pessoal, mas também por cursos de escrita, ThetaHealing® e processos autodidatas — estar disponível ao mundo é poder acessar informações para, depois, se conhecer e poder compartilhar.



Oficinas e workshops de escrita terapêutica e expressiva

Recentemente, lancei a oficina “4 passos da escrita terapêutica” como forma de introduzir essa prática na vida das pessoas de maneira leve, despertando a tranquilidade e o acolhimento que só o papel em branco é capaz de nos dar.


Esta oficina acontece online e gratuitamente em 4 encontros de 1 hora cada para expor os benefícios, exercícios e muita troca de experiências entre todos que ali se dispõe a viver esse momento.


Ao longo deste minicurso, reforçamos o quão transformador pode ser entrar em contato com conteúdos de nossa própria vida por meio da escrita. Nesse formato, rever assuntos que precisam ser encarados sem julgamentos para que possam ser melhor endereçados em nossas vida.


Para quem vive essa experiência, o próximo passo está em mergulhar em sua própria história de vida por meio do workshop “Selfie: retrato por escrito”, que, nesse ano, ganhou sua primeira versão online.


Nele, as pessoas terão a oportunidade de se conectar com suas próprias histórias de vida por meio de exercícios que envolvem, principalmente, a escrita expressiva e terapêutica. São 4 encontros de 2 horas que envolvem muita troca, conversa e, claro, exercícios.


Técnicas de comunicação não-violenta, escrita criativa, storytelling, design thinking e thetahealing são adotadas para obter mais clareza e compreensão da história de cada um. Elas serão estímulos expressivos que conduzirão também a um olhar criativo e afetuoso consigo e com o outro.



O que vem depois da escrita

Depois de entrar em contato com memórias, sensações, sentimentos e pensamentos guardados e, muitas vezes, inconscientes, as pessoas vivem um processo de elaboração de caminhos e a busca de soluções para suas questões e expansão do seu autoconhecimento. Na maioria das vezes, a escrita expressiva gera a sensação e a necessidade de superação.


A entrega ao exercício da escrita como um hábito faz com que desejemos avançar diante das sensações vividas e ir ao encontro de novas sensações e pensamentos.

Em geral, como a escrita serve para acolher todos os sentimentos, inclusive os mais desconfortáveis, é como se tivéssemos realizado uma limpeza interna e, com isso, olhar para o futuro se torna mais fácil, promissor e muito menos ameaçador.


Em geral, há uma diminuição expressiva das sensações de frustração e lamentação, pois o papel acolheu tais sentimentos ao longo do processo e agora há espaço para começar uma busca por novas experiências.


A escrita na minha vida

Desde criança, tudo que eu conseguia transformar em palavra passava a existir de algum modo para mim, em minha imaginação, espalhado pelo quarto, nos rabiscos que eu fazia por aí.


Hoje em dia, tem quem diga que tenho a habilidade de ser um bom ouvinte e ajudar a dar sentido no que vêm feito rio bravo dentro de si. A verdade é que adoro escutar e me sinto desafiado a encontrar a compreensão diante do que se é vivido. Nesse contexto, deságuo na escrita.


O folclorista Barbosa Lessa escreveu em Rodeio dos Ventos que “Nhamderuvuçu criou o Kayuá, o dom da palavra, pois uma coisa só existe quando há um nome para chamá-la”.


Me identifico com a criação desse Deus Guarani e com as simples descobertas do cotidiano e, por isso, criei esse projeto - que leva o nome deste Deus - , que reúne o poder da palavra escrita e a intenção que mora na imaginação de cada um, nosso poder cocriador da realidade que vivemos.


Nesse contexto, meu objetivo é compartilhar o que me habita, receber o que ocupa o outro e, juntos, buscar sentido e seguir contando histórias.



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Conheça o minicurso 4 Passos da Escrita Terapêutica. ✍️ Clique aqui e saiba mais ;)

Eduardo Alves é graduado em Relações Públicas e especialista em Mídias Digitais.

É formado em ThetaHealing DNA Básico e Avançado pela Escola Onda e certificado internacionalmente pela THInK.

Também estuda escrita criativa e afetuosa, captação e tratamento de histórias de vida e curadoria de conhecimento em espaços menos ortodoxos.

Lançou o Kayuá, projeto de autoconhecimento livre e itinerante que acredita que a narrativa contribui para o desenvolvimento do ser humano. Com ele, apoia pessoas em seu autoconhecimento por meio do ThetaHealing e da Jornada Narrativas de Vida.

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