• Centro Dora M Bentes

No silêncio mora a minha gratidão


Sempre que algo me incomoda, busco compreender o que naquilo preciso observar. E a expressão gratidão, quando surgiu, foi algo que me incomodava bastante.


No princípio, parecia algo fora de contexto. Não encaixava em mim. Tinha a sensação de estar querendo botar na gaveta uma colher que era maior do que o espaço que havia ali.


Mais tarde, percebi que eu não reconhecia em mim a sensação de estar grato. E, por isso, tudo que envolvia expressar tal sentimento, me incomodava.


Quando estudamos ou utilizamos o Thetahealing, falamos de gratidão como uma forma de manifestar e movimentar nossa energia de intenção. E fazia muito sentido — apesar de ainda não perceber a gratidão dentro de mim.


O dia em que ela me ficou mais clara foi durante a minha primeira turma de SELFIE: retrato por escrito. A oficina foi pensada em seus detalhes, meu desejo de partilhar algo que me fazia sentir uma conexão profunda entre mim e o outro estava agora à disposição. A gratidão veio e eu a reconheci. Senti tomando meu corpo como se fosse um vento bom que toca toda a nossa pele.


E, de repente, vários momentos do passado vieram a minha mente. E eu pude olhar para todos eles com gratidão. E tudo aconteceu silenciosamente.


Nunca me senti obrigado a dizer “gratidão”. Apenas sentir, reconhecer e, mais uma vez, agradecer por poder ter aquela sensação comigo.

Com o tempo, a gratidão virou um hábito que ganhou força no meu cotidiano.


Pelas manhãs, gosto de lembrar o dia anterior.

Pensar na pessoa que fui ontem. Os desafios que surgiram, mas também tudo que foi fluido. Perceber os aprendizados, minha evolução e, então, agradecer.


Durante as refeições.

Gosto de pensar o quanto aqueles alimentos foram desejados na minha casa, naquela mesa. Como se eu pudesse me sentir conectado com o trajeto deles até ali. E agradecer, mentalmente, por isso.