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Por que Mitologia?

Olimpo: la caída de los gigantes, Francisco Bayeu y Subías, 1764


Um dos meus trabalhos como psicóloga envolve utilizar a mitologia como instrumento para valorizar as potencialidades humanas. Diante deste encontro entre psicologia e mitologia, solidamente fundamentado por Carl Gustav Jung, surge a pergunta:



Por que mitologia?

Histórias de deusas e deuses marcam a experiência humana no mundo. São histórias de forças, poderes, conquistas e desafios, por vezes relacionadas a fenômenos da natureza (tais como a chuva e o vento) ou a outros seres vivos, como as plantas e os animais.


Histórias antigas, fantásticas, envolventes. O que muitos não sabem é que os mitos não são meras fantasias dos povos passados: os mitos são vivos.



Os sonhos do mundo

Joseph Campbell, mitólogo, escreve que os mitos são os sonhos do mundo. Acho esta definição encantadora. Enquanto histórias criadas por nós, seres humanos vivos, os mitos também carregam vitalidade em si. E, tal como os sonhos, possuem sua própria realidade. Nós, quando sonhamos, produzimos símbolos e imagens que falam sobre: nós!


São imagens oriundas de nossa própria psique, que possuem significados únicos para cada um e que falam sobre cada um. Agora, imagine o mundo sonhando. Imagine todos os seres humanos, de todas as épocas, de todas as culturas já existentes, todos sonhando e produzindo imagens juntos. Isto são os mitos.


Os conteúdos que a mitologia traz são conteúdos da experiência humana. Por serem “sonhadas”, as imagens mitológicas são simbólicas. Mas os mitos estão, fundamentalmente, falando de nós. As deusas e deuses das histórias somos nós. Eles simbolizam nossas forças interiores, aquilo que temos em comum com todos os seres humanos que já existiram no planeta. É por isso que Campbell fala que os mitos são pistas para as potencialidades espirituais da vida humana. Porque eles narram histórias das potências humanas, das forças que todos possuímos e que aguardam oportunidades para se desenvolverem.



Mito ou verdade?

E mais: os mitos carregam verdades. Não é por serem narrados através de símbolos e metáforas que eles deixam de ser verdadeiros. Pelo contrário, eles falam de uma verdade importantíssima: a verdade humana. Numa época em que é difícil arranjar tempo para refletir sobre si, acho válido destacar esta qualidade peculiar dos mitos. A verdade humana não se embasa apenas em provas ou teorias. Ela se embasa também na experiência de vida. E ainda é cercada de mistério… Assim, como escreve Campbell, o mito lhe fornece um canal de comunicação com o mistério que você é.



“Qual é o sentido do universo? É isso.”

Finalizo este texto com algumas palavras de Campbell, a meu ver muito adequadas à época em que vivemos. Pois é sempre válido relembrar o valor de uma experiência humana.


“Qual é o sentido do universo? Qual é o sentido de uma pulga? Está exatamente ali. É isso. E o seu próprio sentido é que você está aí. Estamos tão empenhados em realizar determinados feitos, com o propósito de atingir objetivos de um outro valor, que nos esquecemos de que o valor genuíno, o prodígio de estar vivo, é o que de fato conta.”


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Maíra Bentim é Psicóloga junguiana e cursa especialização em arteterapia.

Trabalhou em escolas e serviços de saúde mental, sempre atentando para o bem estar de cada pessoa. Acredito na importância de ter espaços para a livre expressão de quem se é, e por isso me sinto realizada em poder criar estes espaços no consultório.


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