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Suicídio e pandemia


Setembro é o mês mundial de prevenção ao suicídio, campanha mais conhecida como Setembro Amarelo. A cor foi escolhida pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como símbolo do programa que incentiva aqueles que têm pensamentos suicidas a buscarem ajuda. Estima-se que 800 mil a 1 milhão de pessoas morrem por suicídio todos os anos. De acordo com dados da OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde) e, segundo o Ministério de Saúde , mais de 96% dos casos de suicídio estão relacionados a transtornos mentais, depressão, transtorno bipolar, ansiedade, e/ou abuso de substâncias – números que colocam essa entre as três principais causas de morte de pessoas entre 15 e 29 anos no mundo.


O tema ainda é permeado por preconceitos e tabu e exatamente por isso temos estimulado ao longo dos últimos anos o debate e a informação.



A pandemia e os fatores de risco

Muitos estudos têm sido conduzidos em tempos de crise, como agora na pandemia que estamos passando ou outros momentos históricos como epidemias e grandes eventos traumáticos da humanidade. Uma parte destes estudos demonstram que esses eventos extremos podem aumentar a ideação e a tentativa de suicídio por parte das pessoas. Afinal, alguns fatores de risco conhecidos apresentam-se mais evidentes.


O isolamento físico e social tende a provocar mais medo, solidão e desesperança. A desesperança por si só é um fator que potencializa até 40 vezes mais o ideário suicida. Este isolamento também nos dá acesso reduzido ao suporte comunitário, seja ele com os amigos, familiares ou grupos específicos de apoio. O luto, seja ele por conta da covid-19 ou não, está sendo vivenciado de forma muito diferente, onde os rituais de despedida e aconchego foram revistos para a garantia da saúde das pessoas. O acesso aos serviços de saúde, sobretudo os de saúde mental – que já eram prejudicados antes da pandemia – também podem transformar-se em fator de risco.


Em tempos de desemprego, perda de recursos financeiros e abandono de projetos podemos notar que muitas pessoas acabam por ter uma autovalorização diminuída. O uso de drogas como o álcool ou as substâncias psicoativas e, muitas vezes por consequência, a violência doméstica decorrente deste uso, também se elevaram no período de pandemia. Todos estes já eram fatores de risco, potencializados durante este período.


Por outro lado, há outras pesquisas que demostram que parcelas da população podem sofrer menos impacto quando contam com um suporte coletivo: efeito chamado de “pulling togheter effect”. Isto ocorre quando as pessoas se organizam de forma a dar suporte uns aos outros, minimizando os efeitos da crise e os efeitos da chamada quarta onda pandêmica, que seria a da saúde mental. Por isso, ações de apoio que estão sendo realizadas, sobretudo pela sociedade civil, são fundamentais para minimizarmos os efeitos mais danosos da crise da covid-19.



Os grupos mais atingidos

Na faixa etária de crianças e adolescentes, os dados referentes às crianças podem ser confundidos com os acidentes em geral, e é apenas entre 7 e 9 anos que as crianças começam a ter mais clareza do que significa a morte. É, contudo, na faixa dos adolescentes que os números se mostram mais preocupantes e que tem crescido anualmente. Sensação de inadequação, bullying e relações familiares desestruturadas podem ser fatores que incentivam ao ideário suicida. Em tempos da covid-19 a interação, mesmo que online, entre os adolescentes é desejável, contudo, é preciso ficar de olho no conteúdo acessado via internet.


Já na faixa dos adultos, são os que tem entre 20 e 49 anos que pensam e tentam o suicídio. É nesta faixa etária que o uso de álcool, o abuso de drogas, os problemas de relacionamento, questões financeiras e de trabalho e a violência – sabidamente maior entre jovens – tem maior ocorrência. Por isso diz-se que o suicídio tem causas complexas e multifatoriais.


E é na população de idosos onde tem havido maior crescimento das taxas de suicídio já há algum tempo. Com a covid-19 e o isolamento, sobretudo por serem um dos grupos de risco, a solidão, o sentimento de tristeza profunda, a angústia e a sensação de inutilidade (“eu não sirvo mais para nada, somente para dar trabalho aos outros”) e descartabilidade (“é melhor eu morrer e todos ficarão melhores com isto”) tornaram-se crenças ainda mais presentes entre esta população.



Fatores de atenção a serem observados

É importante ficarmos sempre atentos aos sinais, ainda que haja aqueles que pareçam não dar quaisquer sobre suas intenções suicidas. Quando alguém começa a falar muito em morte; mencionando que está dando muito trabalho; dá sinais de desesperança em relação à vida; ficam agitados fisicamente ou o oposto, parecendo prostrados; com disfunções alimentares, seja comendo muito ou pouco; tristeza contínua e quando há relatos de violência, sobretudo a doméstica é bom que possamos olhar para esta pessoa, com atenção e afeto.



Setembro Amarelo e a quem pedir ajuda

E a melhor pergunta a se fazer é “você tem pensado em morrer?”. Pode parecer muito direto, mas é certamente a melhor forma de lidar com a questão, de forma clara, honesta e afetuosa.


Muitos serviços de apoio estão funcionando durante a pandemia, sejam pelos conselhos de classe, associações privadas de interesse público, universidades e alguns serviços públicos de saúde mental. No setembro amarelo, em geral, há um aumento desta oferta de apoio. Se você está se sentindo desta forma ou conhece alguém, procure ajuda.


Alguns exemplos de serviços de apoio

Talvez o mais conhecido serviço gratuito de apoio seja o CVV – Centro de Valorização da Vida. Ligue 188, gratuitamente, 24 horas por dia.


A ABT - Associação Brasileira do Trauma ampliou seu serviço de apoio na pandemia, a partir deste mês, oferecendo sessões gratuitas de uma técnica chamada Somatic Experiencing®. Basta acessar o site www.traumatemcura.com.br/redeacaosocial para agendar.


Fique bem e viva com saúde!


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Sergio Hora - Terapêutica Integrada

Facilitador certificado de Barras de Access®, Facelift® Energético e processos corporais de Access Consciousness®; terapeuta de SE-Somatic Experiencing® e Florais Alquímicos de Joel Aleixo®. Mestre em ciências pelo Depto. Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP e graduado em Tecnologia da Informação. Especialista em políticas públicas nas áreas da saúde, educação e assistência social. Ministrante dos cursos de Barras de Access® e Facelift® Energético e dos workshops de MTVSS® e Circuitos no Centro.

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